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Após mobilização de manifesto, prefeita se reunirá com comerciantes

Após várias tentativas sem sucesso, a prefeita receberá uma representação de comerciantes amanhã para que mobilização não aconteça

Comentando os Fatos

Comentando os FatosA coluna Comentando os Fatos tem como propósito ser um canal de discussão dos principais assuntos comentados pela população de São Raimundo Nonato. Nossa missão é replicar e comentar os fatos que estão acontecendo e sendo comentados pelo povo. POR: ALÍRIO RIBEIRO

22/04/2020 21h04Atualizado há 1 mês
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: Alírio Ribeiro
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Prefeita Carmelita Castro
Prefeita Carmelita Castro

Um grupo de comerciantes de São Raimundo Nonato, se mobilizaram para realizar um manifesto nesta quinta-feira (23), para pedir a reabertura do comércio local. Segundo os mesmos, o comércio já não suporta mais manter suas portas fechadas, e ainda sob pressão da fiscalização da Prefeitura que está impedindo os comerciantes de retirar mercadorias de dentro de suas lojas para entregas de vendas online, sob pena de multas pesadíssimas e até humilhações em alguns casos.

A mobilização tinha como tema “O comércio de São Raimundo Nonato pede Socorro!” o objetivo desta mobilização era sensibilizar a prefeita Carmelita Castro a flexibilizar o funcionamento do comércio, restringindo algumas regras já preconizadas pela OMS para os comércios classificados como prioritários.

“Nós já estamos no nosso limite, portanto, não dá mais pra continuar de portas fechadas, cumpriremos os requisitos de proteção e prevenção da proliferação do Covid-19, mas precisamos trabalhar. Tentamos por diversas vezes conversar com a Prefeita Carmelita, mas ela nunca nos atendeu. Hoje ao saber da nossa mobilização nos chamou para conversar e marcou com a categoria uma reunião para amanhã, onde a mesma ouvirá nossas reivindicações”, comentou um dos comerciantes que participaria do manifesto amanhã.

Comentando os fatos

Regras de fechamento do comércio só acontecem por causa da inoperância e incompetência e corrupção generalizada dos gestores públicos no país. A falta de estrutura na saúde pública é a conseqüência de todas essas mazelas.

O isolamento social é importante e faz-se necessário neste período mais que crítico da proliferação do covid-19 em nosso município e no país em geral. No entanto, olhando pelo lado dos comerciantes, o isolamento social não está sendo executado da forma adequada e por causa dessa falta de uma regulamentação justa, alguns segmentos comerciais estão comemorando, enquanto outros estão fadados à ir à falência se providências não forem tomadas e urgentemente neste sentido.

Os comércios que mais colocam a população em risco a proliferação do novo coronavirus é justamente os comércios denominados de serviços essenciais, pela grande movimentação diária, seja supermercados, padarias, farmácias, bancos, lotéricas e os próprios serviços de saúde. Infelizmente não se vê nesses locais nenhum fiscal da vigilância sanitária, fazendo vistorias. Já os comércios não considerados “Serviços essenciais”, não podem levantar nem sequer meia porta, que os fiscais estão em cima deles multando-os.

E enquanto os gestores exigem que os comércios fiquem de portas fechadas, com faturas atrasadas, funcionários sem receber, os impostos do governo não param de chegar. Em São Raimundo Nonato por exemplo, é o comércio fechado e as cartas de cobranças de IPTU chegando diariamente na porta desses mesmos comércios que estão fechados por decreto do município. Isso é justo? Não! Isso além de injusto, revolta qualquer cidadão que se vê prejudicado justamente por um decreto municipal e sendo cobrado deste mesmo ente público.

Hoje chega a cobrança do IPTU, amanhã vem a cobrança do Alvará, chega a conta de água, chega a conta da luz, chega os impostos federais, chegam os boletos a e a bola de neve dos comerciantes continua crescendo, e o resultado dessa matemática mal planejada pelos gestores é a falência destas empresas. Com isto, perde o empresário, perdem os servidores que ficarão desempregados e perde também o município que deixará de arrecadar impostos dessas empresas.

Boa parte dessas empresas querem ao menos manter suas portas abertas para pelo menos receber as contas de alguns clientes, que realizaram compras parceladas, e se a loja está fechada como receber? E mais, se vender já estava difícil, imagina de agora em diante, que as pessoas estarão desempregadas e não tem nenhuma fonte de renda segura.

E de quem é a grande culpa de tudo isso? É justamente a incompetência a inoperância e a corrupção generalizada em todas as esferas governamentais que se aproveitam principalmente de momentos como esses para desviar recursos públicos que poderia deixar o país com melhores condições para enfrentar situações como esta.

Fechar o comércio é mais fácil para os gestores que enfrentar o problema com inteligência e sabedoria. E olha que não sou nem um pouco fã do presidente Jair Bolsonaro, discordo da maioria de suas atitudes estabandas, mas numa coisa eu concordo com ele, fechar empresas também mata. No entanto, defendo regras de funcionamento, seja revezamento de dias por semana para setores diferentes, seja com revezamento de turnos dos servidores e limitação de movimentos e distanciamentos internos, respeitando as normas de segurança, como higienização e uso de EPIs de proteção dos funcionários e clientes.

A incompetência e irresponsabilidade dos gestores é tão grande que não são capazes de fornecer nem mesmo os EPIs de proteção aos servidores da própria saúde que estão frente a frente com o problema diariamente, correndo riscos de vida. No Piauí, por exemplo o COREN-PI denuncia que os servidores da saúde do Estado além de não terem os EPIs para sua proteção pessoal ainda estão passando necessidades com os salários atrasados.

Em São Raimundo Nonato, tenho informações que os Agentes de Endemias do Município estão trabalhando normalmente, visitando as residências, fazendo contatos com pessoas diferentes diariamente e segundo as informações que temos, eles não estão recebendo os EPIs de proteção para ir ao campo como: mascaras luvas e outros. Há ainda informação que a Secretaria de Saúde mantém trabalhando ativamente até aqueles Agentes de Endemias que estão classificados como do grupo de risco, colocando a vida destes servidores em risco de morte caso sejam contaminados pelo Covid-19.

Repito aqui uma frase de meu saudoso pai, “primeiro faça o dever de casa para poder cobrar que os outros que também o façam”. Essa mesma frase serve para os comerciantes quanto à responsabilidade social em cumprir com medidas de prevenção, caso cheguem a um acordo em abrir suas lojas.

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