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Rodrigo Janot

Gilmar pede que STF retire porte de arma de Rodrigo Janot

petição de Gilmar foi apresentada depois de Janot disse em entrevista da intensão de matar Gilmar Mendes

27/09/2019 19h57
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: Veja
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 Evaristo Sá/AFP O ministro Gilmar Mendes vota durante a sessão de julgamento sobre o pedido de habeas corpus de , no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 04/04/2018
Evaristo Sá/AFP O ministro Gilmar Mendes vota durante a sessão de julgamento sobre o pedido de habeas corpus de , no Supremo Tribunal Federal, em Brasília - 04/04/2018

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STFGilmar Mendes pediu nesta sexta-feira, 27, no âmbito do inquérito que apura fake news e ameaças contra ministros da Corte, que seja determinada a retirada do porte de arma do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e que ele fique impedido de ir ao tribunal.

A petição de Gilmar foi apresentada depois de Janot dizer em entrevista a VEJA que, em 11 de maio de 2017, quando ainda era o chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), foi armado ao STF com a intenção de matar Gilmar com um “tiro na cara” e em seguida se suicidar, mas desistiu depois de chegar a sacar e engatilhar a pistola, na antessala do plenário do Supremo.

Caberá ao ministro Alexandre de Moraes, relator do inquérito sobre as fake news no Supremo, decidir sobre os pedidos do colega. Nesta sexta-feira, por meio de nota, Gilmar Mendes se disse surpreso com a revelação de Janot, recomendou que ele procure “ajuda psiquiátrica” e lamentou “o fato de que, por um bom tempo, uma parte do devido processo legal no país ficou refém de quem confessa ter impulsos homicidas, destacando que a eventual intenção suicida, no caso, buscava apenas o livramento da pena que adviria do gesto tresloucado. Até o ato contra si mesmo seria motivado por oportunismo e covardia.”

Rodrigo Janot vai lançar na próxima semana o livro Nada Menos que Tudo, escrito pelos jornalistas Jailton de Carvalho e Guilherme Evelin, em que narra episódios desconhecidos ao longo dos quatro anos em que esteve à frente das investigações do maior escândalo político do país.

Na ocasião relatada pelo ex-procurador na entrevista e no livro, Janot havia pedido ao STF que impedisse Mendes de atuar em um processo que envolvia o empresário Eike Batista. O procurador alegou que a esposa do ministro, Guiomar Mendes, trabalhava no mesmo escritório de advocacia que defendia Eike. Na sequência, foram publicadas notícias de que a filha de Janot era advogada de empreiteiras envolvidas na Lava-­Jato — o que, por analogia, também colocaria o pai na condição de suspeito. O procurador identificou Mendes como origem da informação — e, nesse instante, decidiu matá-lo.

O plano do ex-PGR era dar um tiro na cabeça do ministro e depois se matar. A cerca de 2 metros de distância de Mendes, na sala reservada onde os ministros se reúnem antes de iniciar os julgamentos no plenário, Janot sacou uma pistola do coldre que estava escondido sob a beca e a engatilhou. Mas o plano não se consumou: “Só não houve o gesto extremo porque, no instante decisivo, a mão invisível do bom senso tocou meu ombro e disse: não”. 

Na entrevista, Janot também narra, entre outros episódios, que foi convidado pelo então senador Aécio Neves (PSDB) para ser candidato a vice-presidente da República, que o ex-ministro Antonio Palocci prometeu entregar cinco ministros do STF e que Temer pediu a ele que cometesse o crime de prevaricação.

 

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