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Consórcio Nordeste

Em consórcio, governadores rebatem fala de Bolsonaro sobre divisão do Nordeste

Governadores estiveram reunidos nesta quarta-feira (21) durante o Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável, em Teresina (PI). Presidente havia dito que alguns governadores estavam tentando separar a região do restante do Brasil. Planalto não respondeu.

22/08/2019 07h05Atualizado há 4 semanas
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: G1
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Governadores debatem ações para consórcio do Nordeste durante encontro em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1
Governadores debatem ações para consórcio do Nordeste durante encontro em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

Governadores do Nordeste rebateram nesta quarta-feira (21) a fala do presidente Jair Bolsonaro, dada na semana passada, segundo a qual "alguns governadores estão querendo separar o Nordeste do Brasil".

Eles estiveram nesta quarta-feira (21) em Teresina (PI), na segunda reunião do Consórcio Interestadual de Desenvolvimento Sustentável.

Na quarta-feira (14), Bolsonaro esteve em Parnaíba, Litoral do Piauí. Foi o primeiro encontro com um governador do Nordeste após a polêmica causada por declaração sobre governadores da região. A fala do presidente sobre o Nordeste foi gravada durante conversa informal com o ministro Onyx Lorenzoni no dia 19 de julho. Na ocasião, Bolsonaro afirmou que "daqueles governadores de 'paraíba', o pior é o do Maranhão".

Durante o discurso a apoiadores no Piauí, Bolsonaro disse que "alguns governadores estão querendo separar o Nordeste do Brasil, estes cabras estão no caminho errado". "O caminho do Brasil é um só, um só povo, só raça, uma só bandeira verde-amarela".

"Nunca fechei as portas pra ninguém, eles que se reúnem, fazem manifestações contra mim, querem dividir o Nordeste, o Brasil é um país só, estamos nos livrando desse mal vermelho, do comunismo, isso é muito bom", afirmou.

 

Em resposta, o presidente do Consórcio Nordeste, o governador da Bahia, Rui Costa, declarou que 'muitos países árabes passaram a cancelar demandas de produtos brasileiros, a partir da posição do Brasil, que passou a emitir opinião em relação ao muro do México e Estados Unidos, e agora recentemente uma declaração de desprezo com relação ao meio ambiente. Isso tem e terá, essa é a nossa opinião, um desastre muito grande para o comércio brasileiro'.

"Em tese, eventuais declarações teriam ou têm o objetivo de agradar o agronegócio, o que tá se conseguido com isso é dá um prejuízo a balança comercial brasileira. Acho importante, não só o Nordeste mais outras regiões, possa dizer no exterior que tem um Brasil diferente, que valoriza a conservação ambiental, valoriza o respeito a outras nações, dando opinião a eleição do país vizinho, ou seja, fazendo campanha, não cabe a nação opinando sobre a autodeterminação de povos, que o país vizinho defina democraticamente sua eleição. Porque se não, outro presidente ganha, você vai romper as relações comerciais. Qual o impacto econômico se o país romper o pacto com a Argentina?", comentou Rui Costa.

 
Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, no encontro dos governadores do Nordeste em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, no encontro dos governadores do Nordeste em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

Flávio Dino (PCdoB), governador do Maranhão, no encontro dos governadores do Nordeste em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

O governador do Maranhão, Flávio Dino, criticou mais uma declaração negativa do presidente aos representantes do Nordeste. Segundo ele, Bolsonaro tem mantido uma atitude voltada para o conflito, 'às vezes até de discriminação', mas que está aberto ao diálogo.

"O presidente Jair Bolsonaro tem, infelizmente, até aqui mantido uma atitude em relação ao conjunto dos estados e outros seguimentos sociais voltada muito para o conflito. Nós acreditamos que os conflitos têm hora e lugar para acontecer, marcadamente nos processos eleitorais".

Sobre as críticas pessoais do presidente a ele, Flávio Dino destacou: "O artigo 37 da Constituição define que todos aqueles que exercem função pública tem que obedecer a vários princípios, dentre os quais o da impessoalidade, ou seja, nós não podemos colocar sentimentos pessoais à frente do interesse público. Então da minha parte não me preocupo com opiniões pessoais dele ou de qualquer outro e sempre mantemos a mesma atitude, de diálogo, de convergência naquilo que é possível e de crítica".

 
Governadores do Nordeste participam de encontro em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1Governadores do Nordeste participam de encontro em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

Governadores do Nordeste participam de encontro em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

O governador do Ceará, Camilo Santana, lamentou a postura do presidente Jair Bolsonaro e pontuou que os gestores precisam de respeito. Segundo ele, este não é o momento para provocação.

"É lamentável este tipo de postura. O que nós acreditamos e defendemos é a importância de unir o Brasil, o respeito a democracia acima de tudo, do direito da população escolher os seus governantes. A maioria aqui foi eleita no primeiro turno e é importância o respeito e a relação federativa dos entes. É preciso ser tratado com respeito, pensando no Brasil não é momento para 'picuinha'. A eleição já passou, o presidente é presidente de todos os brasileiros. É preciso focar naquilo que é importante, estamos vivendo no Brasil mais de 13 milhões de desempregados, problema sério nas áreas de segurança e saúde", declarou Camilo Santana.

Para o governador da Paraíba, João Azevêdo, o Consórcio Nordeste não tem o objetivo de dividir a região do restante do país. Ele caracterizou a frase do presidente como 'infeliz'.

"Eu fico muitas vezes a pensar o que vai acontecer quando o presidente descobrir que existe um um consórcio Brasil-Central, outro na Amazonas Legal, que os estados do Sul-Sudeste estão formando um consórcio igual a esse. Será que todo o país está querendo se dividir? É óbvio que não. Essa foi uma frase infeliz, que não traz a realidade e nem o conhecimento daquilo que representa o consórcio, que é um instrumento moderno de gestão e é isso que estamos buscando para enfrentar essa estagnação da economia do país, que está parada e nós estamos buscando alternativas", comentou.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, explicou que o objetivo do Consórcio Nordeste é atrair investimentos para promover a região, com o objetivo de criar empregos.

"Isso não tem absolutamente nenhum senso de realismo, coerência. O Nordeste quer crescer unido com o Brasil. Toda a nossa energia está voltada para atender os anseios da população, que legitimamente nos fizeram representantes. Temos um projeto de desenvolvimento, com geração de emprego para o nosso povo, que traga inclusão social, trabalhar de forma unida, porque é isso o que representa o Consórcio do Nordeste".

 

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Wellington Dias (PT), governador do Piauí, no encontro de governadores do Nordeste em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1Wellington Dias (PT), governador do Piauí, no encontro de governadores do Nordeste em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

Wellington Dias (PT), governador do Piauí, no encontro de governadores do Nordeste em Teresina — Foto: Lucas Marreiros/G1

O governador do Piauí, Wellington Dias, preferiu não comentar sobre a declaração do presidente Jair Bolsonaro e tratou somente sobre pontos debatidos durante a reunião. Este é o segundo encontro realizado depois que o Consórcio Nordeste foi formalizado (aprovada em todas as assembleias e criado o CNPJ).

O Consórcio Nordeste tem o objetivo de traçar o planejamento estratégico para a captação de investimentos internacionais, que tragam desenvolvimento para a região.

"Só temos o que comemorar com este consórcio. Hoje, por exemplo, decidimos sobre o lançamento do edital para o sistema integrado de compras de medicamentos. Isto deve reduzir custos e a partir disso, vamos comprar bem mais equipamentos e produtos", disse.

No primeiro dia de reunião, os governadores também discutiram sobre a criação de uma Força Regional de Segurança, com a integração das Polícias Militar e Civil dos estados.

O evento continua nesta quinta-feira (22), com a participações dos secretários das áreas debatidas pelos governadores.

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