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Salários atrasados

Descaso na Saúde: Servidores da UPA a espera do salário de maio

SERVIDORES DA UNIDADE DE PRONTO ATENDIMENTO DE SÃO RAIMUNDO NONATO DENUNCIAM MESES DE SALÁRIOS ATRASADOS E COBRAM PROVIDÊNCIAS

08/07/2019 07h28Atualizado há 2 semanas
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: Política Dinâmica/Gustavo Almeida
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UPA recebe pacientes de todos os municípios da região (Foto: Reprodução/Internet)
UPA recebe pacientes de todos os municípios da região (Foto: Reprodução/Internet)

Servidores da única Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que atende uma região inteira do Piauí denunciam que estão com três meses de salários atrasados. Para quem trabalha na UPA de São Raimundo Nonato, no semiárido piauiense, receber pelos dias trabalhados não tem sido tarefa fácil. Inaugurada em 2017 pelo governador Wellington Dias (PT), a unidade administrada pelo Governo do Estado recebe pacientes de quase 20 municípios da região.

Os servidores contratados do Estado, que são maioria, estão com três meses de salários atrasados. Já os efetivos, cuja folha de pagamento é organizada pela Prefeitura de São Raimundo Nonato, ainda esperam pelo salário de maio. Além da falta de pagamentos, os trabalhadores denunciam ar-condicionados que não funcionam. Quem trabalha no local e não recebe ainda relata a existência de contratados que não aparecem na UPA.

A técnica de enfermagem Silvanda Aragão, servidora da unidade, relatou ao Política Dinâmicaque os últimos pagamentos recebidos pelos servidores municipais que atuam na UPA só foram feitos mediante bloqueios judiciais. Na sexta-feira (5), quinto dia útil do mês, todos estavam na expectativa de receber o pagamento de maio, mas o dinheiro não foi depositado.

"É uma UPA importante para a macrorregião. Hoje, quinto dia útil de julho, nós estamos para receber o salário de maio. E os servidores contratados estão há três meses sem receber. Isso é um descaso das gestões com os servidores. Isso é humilhante, é escravizar o servidor. Nossa UPA é uma unidade que merecia ser reconhecida, ser valorizada pelos gestores. Esses servidores saem de casa para trabalhar e doam suas vidas pelo serviço", desabafou.

Ainda segundo a técnica de enfermagem, os servidores que acompanham as transferências de pacientes de São Raimundo Nonato para Teresina arcam com as próprias despesas de alimentação. "Qual a pessoa se sente motivada em sair da sua casa para levar um paciente de São Raimundo a Teresina e passa três ou quatro meses para receber, ter que tirar dinheiro do próprio bolso para se alimentar na estrada? Isso é um absurdo", conta.

No local, alguns ar-condicionados estão sem funcionar (Foto: PoliticaDinamica.com)No local, alguns ar-condicionados estão sem funcionar (Foto: PoliticaDinamica.com)

A gestão da UPA é feita pelo Governo do Estado, embora existam servidores concursados do município na unidade. A situação foi resultado de um impasse. Em 2012, antes da UPA ser concluída, a prefeitura realizou um concurso público para o provimento de vagas, atitude na época contestada pelo governo estadual. A Secretaria de Saúde do Piauí alegou que o município não poderia realizar a seleção de vagas, pois a instituição seria gerida pelo estado.

Após um longo vai-e-vem, a Justiça mandou a Prefeitura nomear os aprovados no concurso, mas a gestão da UPA seguiu com o Estado. No entanto, o que nem todos sabem é que o pagamento dos efetivos do município que trabalham na unidade depende do governo estadual, já que um acordo entre as gestões prevê que a Secretaria de Saúde repasse os recursos para a Prefeitura fazer o pagamento dos concursados que trabalham na UPA.

PREFEITURA NÃO COMENTA
Procurada pelo Política Dinâmica, a Prefeitura de São Raimundo Nonato admitiu os atrasos nos pagamentos dos servidores municipais que atuam na UPA, mas não quis comentar os motivos e nem mesmo dar uma previsão sobre quando a situação deverá ser regularizada.

WELLINGTON DIZ QUE VAI EXAMINAR
A reportagem do Política Dinâmica também questionou, nesta sexta-feira (5), o governador Wellington Dias sobre os atrasos nos pagamentos dos servidores da UPA de São Raimundo. Ele afirmou que não tinha conhecimento da situação, mas prometeu examinar o caso.

"Bom, eu desconheço. Vou examinar, viu. Vou examinar, vou examinar, vou examinar", repetiu quatro vezes o governador ao ser perguntado no Palácio de Karnak.

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