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Brasil Pressão no Congresso

Governo mapeia votação e vai segurar emendas de deputados ‘infiéis’ à PEC dos Precatórios

Texto-base da proposta que permite ao governo driblar teto de gastos foi aprovado em 1º turno pela Câmara na madrugada desta quinta-feira (4).

04/11/2021 às 09h43
Por: Alírio Ribeiro
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Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara — Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

Após a votação em primeiro turno da PEC dos Precatórios nesta madrugada, o governo já mapeia os deputados que não apoiaram a proposta e promete retaliação ao segurar o pagamento de emendas a esses parlamentares. Segundo o blog apurou, o principal alvo, nas contas iniciais do governo, é o MDB.

Nas palavras de um interlocutor do governo, o Planalto usou a votação para “testar a base” e vai “segurar” as emendas de deputados que estavam negociando votar com o governo, mas que não apareceram ou votaram contra.

O governo está dedicado nesta manhã a mapear caso a caso e fazendo a conta de quantos milhões vai segurar em liberação de emendas como retaliação a esses “infiéis”. Em um desses casos, um interlocutor do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) relatou ao blog que o governo não conseguiu localizar deputados da base aliada ontem à noite, como do próprio PP, pois teriam desligado o celular e ficado incomunicáveis. Na versão do governo, esses deputados estavam pressionados por aliados em suas bases eleitorais que fazem oposição ao presidente Bolsonaro. Divididos entre a base eleitoral e a fidelidade ao Executivo, teriam optado por ficar incomunicáveis e, assim, não apareceram para votar.

O governo reconhece que só conseguiu aprovar a PEC em primeiro turno porque, além de contar voto a voto, teve votos de deputados de partidos de oposição, como o PDT. Mesmo assim, o governo sabia que a conta era apertada e assumiu o risco de ser derrotado pois tem, de fato, um plano B: a extensão do auxílio emergencial.

A votação no primeiro turno foi apertada, com 312 dos 308 votos necessários para a aprovação da proposta. O Planalto quer que Arthur Lira (PP-AL) deixe para votar o segundo turno da PEC na semana que vem, argumentando que muitos parlamentares já deixaram Brasília.

Para a votação de segundo turno, o governo espera pressionar parlamentares com o pagamento das emendas parlamentares, recursos que deputados e senadores destinam a suas bases eleitorais. Em ano eleitoral, esse recurso é ainda mais importante, pois amplia o capital político do parlamentar.

O presidente da Câmara quer votar o segundo turno da PEC na próxima terça-feira (9), para garantir uma margem mais segura de deputados em plenário.

Além disso, Lira quer ganhar tempo e vai aproveitar os próximos dias para garantir que 15 deputados do PDT — oposição ao governo Bolsonaro — mudem de ideia na segunda fase da votação e votem contra a PEC.

Lira quer evitar a reviravolta de parte da bancada do PDT após a reação do ex-ministro Ciro Gomes, opositor de Bolsonaro na eleição de 2022; Gomes anunciou que sua candidatura está suspensa após 15 deputados da bancada do PDT votarem a favor da proposta do governo.

O governo não crê em derrota da PEC dos Precatórios se a proposta passar em segundo turno na Câmara, apesar de ter dificuldades no Senado Federal.

O governo espera a aprovação da proposta para colocar em prática o novo Bolsa Família, o Auxílio Brasil, programa que o governo quer transformar em principal vitrine de reeleição do presidente Bolsonaro.

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