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Brasil Cloroquina

Médico detalha ao GLOBO assédio por cloroquina na Hapvida e recusa a fazer testes de Covid-19

Em entrevista, Felipe Peixoto Nobre, ex-funcionário da empresa de saúde, relata ameaças de demissão para quem não receitava 'kit covid' e diz que casos suspeitos não eram testados, exceto em internações

04/10/2021 às 11h10 Atualizada em 04/10/2021 às 13h21
Por: Alírio Ribeiro Fonte: O Globo
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A operadora de saúde Hapvida, dona da maior presença nas regiões Norte e Nordeste, é acusada de pressionar médicos para cumprirem metas de prescrição de “kit covid” para pacientes mesmo com a ineficácia comprovada dos medicamentos receitados para Covid-19, como mostraram mensagens, áudio e relatos revelados pelo GLOBO na sexta-feira. Agora, um ex-funcionário da companhia, o médico Felipe Peixoto Nobre, detalhou à reportagem como ocorria o que classifica como “assédio” para receitar tratamento precoce, com direito a uma lista de médicos considerados “ofensores” e ameaças de demissão.

— Éramos vistos como inimigos e marcados com uma bandeira vermelha. Recebi quatro visitas no ambulatório do médico-líder em menos de um mês. Me disseram que eu corria o risco de ser desligado do plano, caso eu não prescrevesse o “kit covid”. A chefia sabia exatamente quem prescrevia ou não, porque estavam fazendo auditoria nos prontuários, um absurdo total — relata ao GLOBO.

 

áudio de dirigente da HapVida de janeiro de 2021, ápice de crise dos respiradores em Manaus, dá orientações para "aumentar consideravelmente" a prescrição de cloroquina e para "fazer o convencimento" dos pacientes de que esse era o melhor tratamento a ser adotado, mesmo com a sua ineficácia comprovada.

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