Prata da Casa
Manifestações

Além de Pazuello, presença de Braga Netto em manifestação anterior também gerou críticas de militares

Para integrantes das Forças Armadas, ministro, general da reserva, está 'partidarizando' atuação na Defesa

25/05/2021 12h22
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: O Globo
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Ministro Braga Netto discursa em manifestação em Brasília Foto: Marcos Corrêa/PR
Ministro Braga Netto discursa em manifestação em Brasília Foto: Marcos Corrêa/PR

Uma semana antes de o ex-ministro e general da ativa Eduardo Pazuello comparecer a um ato político no Rio, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, já havia participado de uma manifestação em apoio ao governo, o que também motivou críticas. Braga Netto, diferentemente de Pazuello, é um general da reserva e não precisa cumprir as mesmas regras. Entretanto, outros oficiais apontam risco de partidarização do Ministério da Defesa.

O ministro chegou ao cargo em março, após uma troca de comando conturbada na Defesa. Ele tem adotado um tom mais político, em comparação tanto com o seu antecessor, Fernando Azevedo e Silva, como com a postura mais reservada que ele próprio adotava na Casa Civil. A manifestação em que compareceu, realizada no dia 15, em Brasília, contou com diversas críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Neste dia, Braga Netto discursou e manifestantes gritavam “eu autorizo”, bordão criado para manifestar apoio a uma ação do presidente Jair Bolsonaro contra medidas restritivas de governadores e prefeitos. O grito não foi feito no discurso de outros ministros presentes. Bolsonaro já ameaçou utilizar as Forças Armadas para coibir medidas restritivas. O ministro limitou-se a falar sobre o agronegócio em sua fala e não respondeu aos gritos.

— Como ministro da Defesa, a minha opinião é que ele está partidarizando demais. Ele parece que está dando mais interesse, ou mais importância, à posição política dele, tentando usar as Forças ou pelo menos passar à sociedade a imagem de que as Forças são partidárias do presidente — avalia o general da reserva Paulo Chagas, que concorreu ao governo do Distrito Federal em 2018.

Chagas ressalta, contudo, que, apesar de discordar da postura, Braga Netto está na reserva e ocupa um cargo político, então pode “fazer o que bem entende”. Já no caso de Pazuello, o general afirma que ele “errou muito” e deu um “péssimo exemplo”, merecendo ser punido.

O ex-ministro Carlos Alberto Santos Cruz, general da reserva, foi outro a criticar o envolvimento de Braga Netto em protestos.

— O Ministério da Defesa é um ministério que tem uma característica muito particular, porque os componentes do Ministério da Defesa são as Forças Armadas. Por isso que não é bom o ministério da Defesa ser politizado. O ministério, nesse caso aí, ele não pode tomar partido em manifestação, seja para um lado ou seja para um outro.

No ano passado, o antecessor de Braga Netto, Fernando Azevedo e Silva, sobrevoou de helicóptero, ao lado de Bolsonaro, uma manifestação — o que também rendeu críticas na época. No caso de Braga Netto, contudo, críticos apontam que o discurso foi como um “passo além”. Braga Netto já havia acompanhado Bolsonaro antes em um passeio de moto em Brasília e também falou aos apoiadores.

Azevedo e Silva foi demitido no fim de março devido a insatisfações de Bolsonaro com sua postura. Seu sucessor, por outro lado, tem feito a defesa do governo. Em abril, na cerimônia de troca do Comando do Exército, Braga Netto afirmou que é preciso “respeitar o rito democrático e o projeto escolhido pela maioria dos brasileiros”.

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