Prata da Casa
Eleições de 2022

Bolsonaro já teme racha no centrão para 2022 com retorno de Lula

Apesar de serem mais afinadas ao presidente, integrantes desses partidos não descartam uma mudança caso o cenário eleitoral sofra mudança substancial

14/03/2021 19h25
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: Folhapress
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Presidente Jair Bolsonaro
Presidente Jair Bolsonaro

A elegibilidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), permitida pela decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin, colocou em risco o plano do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de contar com o apoio integral de sua nova base aliada ao projeto de reeleição.

Conhecido pelo pragmatismo e pelo senso de oportunidade, o centrão –bloco formado por PP, PL, Republicanos, Solidariedade, PTB, PSD, PROS, PSC, Avante e Patriota– começou a fazer projeções sobre o cenário após a decisão de Fachin, que será submetida ao plenário do STF.

A aposta de dirigentes das legendas é a de que dificilmente o bloco partidário se manterá unido no próximo ano em torno do presidente. A avaliação é a de que, embora Bolsonaro largue na frente por ter o controle da máquina, Lula é um nome competitivo que ameaça o favoritismo do chefe do Executivo.

Segundo caciques do centrão, diante da possibilidade de uma disputa polarizada, a tendência é que as siglas sigam na base aliada neste ano, mas façam acenos políticos tanto para Bolsonaro como para Lula. Os desembarques só devem ocorrer no ano que vem, quando o cenário eleitoral estiver mais claro, indicando um favoritismo.

Hoje, na opinião de líderes partidários, cinco legendas do centrão tendem a apoiar Bolsonaro, ou seja, têm menos chances de deixar a base aliada. São elas: PTB, PP, PSC, Patriota e Republicanos.

Apesar de serem mais afinadas ao presidente, integrantes desses partidos não descartam uma mudança caso o cenário eleitoral sofra mudança substancial. "Nós estaremos firmes com o presidente e já decidimos isso em convenção nacional do PTB. Apoiaremos Bolsonaro na reeleição", disse à reportagem o presidente nacional da legenda, Roberto Jefferson.

Já os partidos com mais probabilidade de apoiar um adversário e deixar a base aliada, na avaliação de caciques do centrão, são PROS, Avante e Solidariedade. Na eleição de 2018, nenhum deles apoiou Bolsonaro. Os dois primeiros se aliaram a candidatos de esquerda: Fernando Haddad (PT) e Ciro Gomes (PDT), respectivamente.

O PL e o PSD são considerados uma incógnita. O apoio deles, segundo integrantes das legendas, vai depender dos acordos para as disputas estaduais e do desempenho dos presidenciáveis nas pesquisas de intenção de voto. Em caráter reservado, membros das legendas não descartam romper com Bolsonaro.

Apesar de ele contar com o poder de barganha da máquina federal, líderes das siglas não consideram que a entrega de cargos de primeiro escalão possa garantir apoios. Lembram que o centrão contava com postos na gestão da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e, ainda assim, deixaram o governo e apoiaram o impeachment da petista.
"Só o Lula pode vencer Bolsonaro e só Bolsonaro pode vencer Lula", diz o presidente nacional do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP).

Com a mesma lógica, eles avaliam que, caso a derrota de Bolsonaro também se mostre inevitável, dificilmente contará com o apoio da maior parte de sua base aliada. Por isso mesmo, nos próximos meses a expectativa é que Lula comece a articular encontros com dirigentes do centrão, começando por PL e PSD.

Na tentativa de assegurar apoios, mesmo que não sejam garantia de fidelidade, Bolsonaro voltou a avaliar mudanças ministeriais. A expectativa é que o movimento que começou com a cessão do Ministério da Cidadania ao Republicanos tenha seguimento com a substituição do general Eduardo Pazuello, na Saúde, por um nome do PP.

Partido do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (AL), eleito com a ajuda de Bolsonaro, o PP tem dois nomes favoritos para o posto: os deputados Luiz Antonio Teixeira (RJ) e Ricardo Barros (PR) –que chefiou a pasta no governo Michel Temer. O presidente, no entanto, tem afirmado a assessores palacianos que uma troca não deve ser feita neste momento.

Nos próximos meses até as eleições presidenciais, deputados e senadores observam uma série de variáveis que podem influenciar no posicionamento de cada partido para 2022, a começar pela definição de qual será a legenda de Bolsonaro.

Na semana passada, Bolsonaro afirmou estar conversando com alguns partidos. Citou como exemplo o PMB e o PSL. O último é o mesmo pelo qual disputou e venceu a eleição de 2018.

Para aliados do centrão, o errático enfrentamento de Bolsonaro à pandemia do coronavírus, hoje o principal motivo de desgaste do governo, pode ser ignorado se o presidente conseguir adquirir vacinas e imunizar a população. Ele, inclusive, já havia sido aconselhado por nomes do bloco a focar sua energia em vacina e economia.

Nos últimos dias, Bolsonaro tem demonstrado tentar seguir o conselho, equilibrando acenos à sua base mais radical com uma guinada em seu discurso anti-imunização. Por outro lado, é consenso no centrão que, caso o presidente não lance um programa social duradouro, que perdure com o fim do pagamento do auxílio emergencial, dificilmente garantirá apoio do eleitorado nordestino, região mais dependente do Bolsa Família, programa federal que tem a paternidade de Lula reconhecida.

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