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Falta de água

Famoso pelas pinturas rupestres, São Raimundo Nonato vive drama da falta d’água

Moradores, viajantes e turistas reclamam da péssima qualidade do produto; técnicos já descobriram até coliformes fecais na água fornecida aos moradores do município

04/08/2020 07h30
Por: Alírio Ribeiro
Fonte: Texto Toni Rodrigues/Fotos: André Pessoa
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Adutora de engate rápido não resolveu problema do abastecimento (Foto/Reprodução)
Adutora de engate rápido não resolveu problema do abastecimento (Foto/Reprodução)

Em pleno século XXI, a chamada “Capital da Pré-História”, como é mais conhecida a cidade de São Raimundo Nonato, não conta, sequer, com abastecimento de água para o consumo humano. Enquanto isso, a prefeita Carmelita de Castro Silva, Progressistas, anuncia que pediu ao presidente Jair Messias Bolsonaro (sem partido), que autorize voos comerciais para o município.

São Raimundo Nonato (525 km da capital Teresina), exerce um papel de capital da microrregião  e se destaca como um dos principais pontos turísticos do Nordeste graças ao Parque Nacional da Serra da Capivara, patrimônio cultural da humanidade pela Unesco. 

 

Acima, prefeita Carmelita Castro; logo em seguida, adutora de engate rápido; vê-se ainda avião presidencial no aeroporto de São Raimundo Nonato (Fotos/André Pessoa)

A situação no município sertanejo, no tocante ao abastecimento de água, é crítica. O produto para consumo da população é proveniente do açude da Onça, onde existe a famosa barragem Petrônio Portela.

Em 20 de março de 2014, o governo do estado inaugurou a adutora do Garrincho, obra de R$ 8,5 milhões que recebeu 23 chafarizes para facilitar o acesso ao líquido. Através da Agespisa o sistema adutor foi concluído levando abastecimento d’água ininterrupto a oito cidades na região de São Raimundo Nonato, entre elas, São Lourenço do Piauí, Fartura, Dirceu Arcoverde, Bonfim do Piauí, Várzea Branca, São Bráz do Piauí e Coronel José Dias.

Coliformes fecais

Até aí, tudo bem. O problema é que a água captada no açude da Onça é totalmente poluída por dejetos humanos, de acordo com denúncias de ambientalistas, técnicos e funcionários do próprio governo que descobriram coliformes fecais na água.

O fotógrafo André Pessoa disse que as pessoas estão recebendo água de péssima qualidade, “resultado dos índices de poluição da água no reservatório.”

A água do açude é proveniente do rio Piauí, que nada mais é do que o principal ponto de captação dos esgotos de todas as cidades mencionadas. Praticamente morto, no inverno ele ressuscita precariamente fazendo correr a água e garantindo a reserva na barragem, só que totalmente contaminada pelos dejetos.

A partir daí, o governo começa uma espécie de tratamento de guerra com muito cloro e outros produtos químicos para tentar eliminar os germes e bactérias ali contidos. A água é, então, levada até a adutora do Garrincho e fornecida aos habitantes dos oito municípios atendidos pelo sistema.

“É uma água marrom, amarela, de coloração estranha, mau cheirosa, o turista que vai tomar banho com essa água fica decepcionado, ela é fedorenta, é uma água horrível”, disse o fotógrafo e ambientalista.

Nova adutora

Como a ligação da água da barragem Petronio Portela não resolveu o problema do abastecimento da cidade, através da Codevasf o senador Ciro Nogueira e o deputado estadual Hélio Isaías, ambos do Progressistas, viabilizaram a obra da Adutora de Engate Rápido da Serra Branca com valor aproximado de R$ 16 milhões. Com 23 quilômetros a ideia seria ligar os poços da Serra Branca com o sistema de abastecimento de São Raimundo Nonato, resolvendo, pelo menos, o abastecimento na zona urbana do município.

O problema é que nenhum poço  novo foi perfurado, então a água transportada pela adutora de engate rápido é a mesma de antes da inauguração da adutora. Pior. Como fizeram a ligação da água dos poços na nova tubulação, alguns moradores do trecho entre os poços e a cidade, dezenas de famílias, ficaram sem receber o produto. 

Mesmo diante de todo esse caos, a prefeita Carmelita Castro que teve a oportunidade de um encontro com o presidente Bolsonaro omitiu esse drama social e anunciou que iria solicitar de Bolsonaro voos comerciais para o aeroporto local. 

Carmelita esqueceu que o Governo Federal não tem autonomia para isso. Voos comerciais dependem do mercado e do fluxo de visitantes que desejam conhecer a Serra da Capivara.

Atualmente não existe essa demanda e, enquanto o município não pensar na sua infraestrutura como algo fundamental para o desenvolvimento do turismo na região, não tem aeroporto bonito e estruturado que de jeito. Ninguém vai pagar um pacote turístico para chegar em São Raimundo Nonato e não ter, sequer, água potável.

No entanto, antes mesmo de pensar no aumento do fluxo turístico, São Raimundo Nonato tem muito trabalho pela frente. 

TEXTO - TONI RODRIGUES

FOTOS - ANDRÉ PESSOA

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