Jornalismo de Verdade
Fotografia

Fotografia é escrever com a luz

Agosto vem aí... para mim é o mês da luz mais bonita do nosso calendário.

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Jornalismo de VerdadeANDRÉ PESSOA Fotojornalista pernambucano especializado em reportagens ambientais. Tem trabalhos publicados em exposições, catálogos de arte, livros, emissoras de televisão, jornais, revistas e plataformas digitais no Brasil e no exterior. Já esteve documentando a natureza, a cultura e a história de países como a Polônia, Grécia, Costa Rica, Espanha, Holanda, França, México, Alemanha, África do Sul, Turquia, Egito, Panamá, República Tcheca, Bélgica, Jordânia, EUA, Cuba, Itália, entre outros.

25/07/2020 07h30Atualizado há 2 semanas
Por: André Pessoa
Fonte: André Pessoas
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Na minha infância em Recife, na casa da minha família, convivi com duas máquinas fotográficas: uma Olympus e uma Leica. Como sociólogo meu pai fazia os registros de movimentos culturais. Mesmo sem entender nada de fotografia eu, desde sempre, preferia a Leica, era compacta e pequena com uma lente 35mm 1.2 super luminosa.

Como uma criança eu não tinha muito acesso a elas, mas sabia que eram equipamentos mágicos. Olhava pela porta semiaberta do meu quarto nas madrugadas festivas com os amigos dos meus pais onde eles sempre projetavam imagens na parede da sala através de slides. 

Trinta anos atrás me tornei um profissional da fotografia. Pisei na Serra da Capivara pela primeira vez em 1989. Usava uma velha Zenit - equipamento de origem russa, quase um tanque de guerra. Depois migrei para várias marcas na sequência: Olympus, Pentax e finalmente Nikon que tenho até hoje - nunca fui do estilo Cânon. Lembro que as doutoras Niéde Guidon e Anne-Marie Pessis, ambas especialistas em pinturas rupestres, sempre me perguntavam por que as imagens das pinturas rupestres ficavam com o suporte rochoso, na maioria dos casos, amarelado ou avermelhado - o que impede o destaque da pintura. 

Fui estudar. Trata-se de temperatura de cor. Cada hora do dia tem uma determinada temperatura e isso influencia na cor da imagem. Me especializei no tema. Foram duas décadas de fotografias das pinturas da Capivara, do Nordeste e do mundo - estive em mais de 30 países. 

No entanto, nunca consegui resolver completamente essa questão técnica. Também nunca tive recursos para ter uma máquina e lentes Leica. Niéde tinha uma e sempre que eu fazia trabalhos para FUMDHAM utilizava a sua máquina pessoal - ela tinha ciúmes, mas confiava no meu trabalho. As cores desse equipamento é outro assunto. Não se trata de grife, mas de CRISTAL! Suas lentes são produzidas com os melhores cristais do planeta, por isso tanta definição de cores. 

Pois bem, para a conversa não se alongar, apresento a minha primeira saída fotográfica com a minha Leica. Foram 30 anos de trabalho e, finalmente consegui! 

Fotografia é escrever com a luz. Tenho certeza que de agora em diante apresento um novo estágio na minha fotografia. As cores são reais. É Leica. A luz é resultado de 3 décadas estudando cada hora, cada dia e período do ano.

Agosto vem aí... para mim é o mês da luz mais bonita do nosso calendário.

Se deliciem, é a luz de OURO!

Fotos: André Pessoa

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