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Saúde Pública

Região Sul e Sudeste do Piauí criam e ampliam leitos de UTI-Covid para combater a pandemia

Hospitais de São Raimundo Nonato e Bom Jesus foram beneficiados em meio a expansão do novo coronavírus

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Jornalismo de VerdadeANDRÉ PESSOA Fotojornalista pernambucano especializado em reportagens ambientais. Tem trabalhos publicados em exposições, catálogos de arte, livros, emissoras de televisão, jornais, revistas e plataformas digitais no Brasil e no exterior. Já esteve documentando a natureza, a cultura e a história de países como a Polônia, Grécia, Costa Rica, Espanha, Holanda, França, México, Alemanha, África do Sul, Turquia, Egito, Panamá, República Tcheca, Bélgica, Jordânia, EUA, Cuba, Itália, entre outros.

06/06/2020 19h40
Por: André Pessoa
Fonte: André Pessoa
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Hospital Regional Senador Cândido Ferraz - HRSCF - São Raimundo Nonato-PI
Hospital Regional Senador Cândido Ferraz - HRSCF - São Raimundo Nonato-PI

Foram décadas e décadas de descaso com a saúde da população piauiense, mas uma enfermidade epidêmica disseminada pelo planeta afora deixou a ferida da falta de estrutura médica no interior do estado aberta, sangrando na frente da população assustada, e virou, como sempre, mais um escândalo da má gestão dos recursos públicos. 

De uma hora para outra descobrimos que toda a região Sul e Sudeste do Piauí, por exemplo, não tinha, sequer, 1 só leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Nenhum hospital dessa região, seja público ou privado estava equipado para casos de maior gravidade. 

A política de saúde pública reinante no sertão sempre foi enviar os pacientes para Teresina, capital e centro de referência. As estradas pipocavam e ainda abundam de ambulâncias para cima e para baixo. Alguém ganhava e ainda ganha muito com isso. A população, no entanto, só perde: transferências em ambulâncias inadequadas, falta de vagas na capital, riscos de infecção hospitalar, dificuldades em manter parentes próximos na cidade, custos extras, etc. Resumindo, um caos para quem precisa dos serviços públicos de saúde, uma obrigação Constitucional.

Só recentemente, poucos anos antes da Pandemia, que importantes hospitais do interior como os de Floriano e Oeiras, começaram a ganhar melhor estrutura e Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s), diminuindo com isso o fluxo de pacientes para Teresina.  

Deficiências no interior 

Hospitais de grande importância para microrregiões imensas como as de São Raimundo Nonato, Bom Jesus do Gurguéia ou Corrente estavam defasados em suas estruturas físicas e de equipamentos, além do pequeno e desmotivado corpo técnico de médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, assistentes sociais, ajudantes, auxiliares, técnicos, etc. Funcionavam, no máximo, como maternidade e pronto socorro para pequenas complexidades. Qualquer situação mais grave, as vezes uma simples cirurgia, eram encaminhadas para Teresina. Mesmo com toda a dedicação, carinho e profissionalismo, os “anjos” de saúde não podiam fazer muito pelos pacientes. 

Com a expansão da Covid-19 e o bombardeio de informações nos meios de comunicação através da televisão, do rádio e principalmente das redes sociais e veículos on-line, os piauienses tomaram um choque. De uma hora para outro ficou claro tamanho desprezo das autoridades pela saúde. 

Mas, como no ditado popular que diz: “Há males que vêm para o bem”, o iminente colapso na saúde e rede hospitalar do Piauí, com o risco da população necessitar de auxílio médico, fez o governo do estado se mobilizar de forma emergencial para cobrir os ferimentos. E isso se repetiu país afora, estado por estado, município por município. De uma hora para outra a saúde ganhou um novo olhar. Seus profissionais começaram a ser vistos como heróis.

UTI-COVID

Com a enorme repercussão de nossas deficiências, cidades de extrema importância como São Raimundo Nonato (525 km de Teresina), e que dispõe do estratégico Hospital Regional Senador Cândido Ferraz (HRSCF), referência para mais de uma dezena de municípios do Sudeste piauiense, começaram a ganhar melhor estrutura.   

De imediato a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da cidade que é gerenciada pelo Hospital Regional através da Secretaria Estadual de Saúde (Sesapi), ganhou 5 leitos de UTI-Covid, logo ampliados para 10 e preparados para atender os pacientes vítimas dessa enfermidade. 

Agora, outros 5 respiradores foram entregues pela Sesapi, o que pode totalizar 15 leitos de UTI-Covid e mais de 20 leitos clínicos. 

Segundo a diretora do HRSCF e da UPA de São Raimundo Nonato, Nilvânia do Nascimento, a rede de saúde local agora possui dez leitos de UTI com respiradores para atendimento de pacientes com Covid-19 e 20 leitos clínicos. “Atualmente, temos seis pacientes nos leitos clínicos e um na UTI. Com esses respiradores novos que estamos recebemos, vamos montar mais cinco leitos e aumentar nossa capacidade de atendimento”. 

Nilvânia tem se destacado entre os gestores de saúde do interior pela postura proativa e inteligente. Por exemplo, ainda no início da pandemia ela dedicou a UPA da cidade para atendimento exclusivo dos casos da Covid-19 e transferiu o pronto socorro e emergência que funcionava no local para o hospital. Uma ação estratégica que permitiu evitar o contato desnecessário entre pacientes com diferentes enfermidades.  

O Hospital também está passando por reformas físicas através de uma emenda parlamentar e deve ganhar outros leitos de UTI da empresa privada Enel Green Power Brasil. A multinacional chegou a anunciar que doaria 5 leitos completos de UTI para o HRSCF. 

Seria interessante que o hospital aproveitasse a doação da iniciativa privada para montar efetivamente uma UTI completa no local, e não apenas mais leitos de UTI-Covid na UPA. Com isso, São Raimundo Nonato passaria a ter 15 leitos de UTI-Covid na UPA e 5 leitos de UTI completa, com ampliação do centro cirúrgico e todos os equipamentos de uma UTI estrutural, incluindo máquinas de hemodiálise e, principalmente médicos, enfermeiros e fisioterapeutas intensivistas. Seria um marco para a saúde da microrregião.

BOM JESUS

Quem também estava numa situação crítica antes da pandemia era o Hospital Regional  Manoel de Sousa Santos (HRMSS), em Bom Jesus (603 km de Teresina). Sem nenhum leito de UTI, com a cidade começando a ter casos positivos para a Covid-19, foi necessário o prefeito do município, Marcos Elvas (PSDB), conceder uma entrevista numa espécie de alerta e desabafo dos riscos enfrentados pela população local.    O vídeo teve forte repercussão, escancarava o provável caos na saúde. 

Não demorou e a Sesapi conseguiu montar 8 leitos de UTI-Covid no Pronto Socorro do hospital e dois leitos clínicos na estabilização para atender pacientes com infecção do novo coronavírus. Segundo o diretor do hospital, Helder Meneses, com a doação dos novos respiradores pelo Governo do Estado, a capacidade de atendimento vai aumentar. “Além dos cinco respiradores que vamos receber do Governo do Estado, também teremos a doação de mais cinco equipamentos da empresa Enel Green Power Brasil. Nosso atendimento vai melhorar”, afirma o diretor.

Corrente do bem

Já no distante município de Corrente (843 km de Teresina), o Hospital Regional João Pacheco Cavalcante (HRJPC), reformado no já distante ano de 2012 e também conta com nenhum leito de UTI, mas deve receber respiradores nos próximos dias e criar leitos de UTI-Covid para atender a população. 

O hospital possui sala de parto e sala de emergência. As enfermarias cirúrgicas são  climatizadas e a unidade conta com um moderno mamógrafo. O hospital também oferece serviços, como ortopedia, anestesiologia e radiologia. Apenas cirurgias simples são realizadas na unidade, ou seja, apenas o básico, os casos de maior complexidade ainda são transferidos para Floriano ou Teresina numa viagem de, no mínimo, umas 10 horas em ambulâncias em alta velocidade.

Mercado de trabalho

A pandemia também terminou aquecendo o mercado da saúde com a contratação de inúmeros profissionais. Médicos, enfermeiros, técnicos e assistentes passaram a ser valorizados no mercado. 

Muitos municípios alegam até problemas para contratar esses profissionais e formaturas estão sendo antecipadas para colocar novos profissionais no mercado.

Recursos Públicos

Bilhões de reais estão sendo movimentados por estados e municípios durante essa pandemia e grande parte desses recursos estão sendo utilizados com brechas estabelecidas pela legislação. A falta de licitação, concorrência pública ou tomada de preços, entre outros mecanismos de controle, pode desencadear diversos casos de corrupção.

A própria Polícia Federal já executou algumas operações voltadas para o tema. Mas é na ponta final da cadeia, nos municípios, que a situação pode ficar ainda pior.

Sem mecanismos de controle os prefeitos, muitos deles candidatos a reeleição, tem em mãos um prato cheio de recursos. Mas quando se trata da saúde da população é importante saber que é um crime federal e a população está cada vez mais atenta a isso.

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